Comunicação efectuada na Estação Agronómica Nacional de Oeiras - Seminário subordinado ao tema: “Cultura de Segurança um caminho com futuro no sector público e no sector privado”
Julho/2004
Os dados referentes ao estudo mais recente elaborado pela Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, que resultaram de questionários preenchidos por trabalhadores europeus, entre 1996 e 2000, mostram-nos que as causas e as consequências do stresse no trabalho são bastante comuns aos 15 Estados-Membros da União Europeia da altura.
Os dados revelam-nos, que mais de metade dos 147 milhões de trabalhadores afirmaram trabalhar a um ritmo muito elevado e com prazos muito reduzidos; um terço dos trabalhadores referiu não poder exercer qualquer influência na ordem das tarefas que lhes eram confiadas e mais de um quarto não pôde decidir sobre o seu ritmo de trabalho.
45% apontam para a monotonia das suas tarefas; 44% referem não haver rotatividade de funções e 50% respondem que as tarefas que executaram eram de curta duração e repetitivas.
As consequências que daqui resultaram são pouco animadoras, senão vejamos:
Citando o mesmo estudo, 13% dos trabalhadores queixaram-se de dores de cabeça, 17% de dores musculares, 20% de fadiga,
28% de stresse, 30% de dores nas costas, sendo também referidas doenças potencialmente mais perigosas.
Como curiosidade, gostava de lhes deixar aqui um número, número que é só uma estimativa dos custos que origina o stresse laboral, vinte mil milhões de euros anuais, não tendo sido considerados os custos que estão mais directamente relacionados com o stresse, como são o caso das perturbações da ansiedade e os quadros depressivos.
Perante este cenário, perguntamos: Quem é este personagem a quem já chamaram o “Assassino Silencioso”, responsável por inúmeros casos de absentismo no trabalho, greves, faltas por doença, com consequências nefastas, quer para o indivíduo, quer para a organização?
Penso que é importante fazer uma breve referência, antes de nos debruçarmos concretamente sobre os desencadeantes do stresse laboral, ao modo como o nosso organismo reage quando submetido a estímulos stressores.
É do nosso conhecimento, que um determinado grau de stresse estimula o organismo e permite que este alcance o seu objectivo, voltando à normalidade quando o estímulo cessa. Por exemplo, quando um atleta pretende conseguir um bom resultado numa competição, ele está submetido a um determinado grau de stresse que implica, não só um aumento da sua actividade muscular, mas também um aumento dos batimentos cardíacos e da irrigação sanguínea. É esta estimulação fisiológica que o ajuda a alcançar o objectivo. Uma vez finalizadas as provas atléticas, o que é que acontece? Produz-se uma diminuição destas constantes e o organismo regressa ao seu estado de equilíbrio homeostático.
Mas o que acontecerá a este atleta se for submetido a um grande número de competições, pouco espaçadas no tempo e a quem se exige que ganhe medalhas? Provavelmente ele terá que mobilizar com maior frequência recursos cognitivos e fisiológicos e o seu rendimento poderá sofrer quebras significativas. O mesmo acontece com o trabalhador sujeito a vários estímulos stressores.
Que mecanismos fisiológicos se processam quando nos encontramos submetidos a estímulos stressores?

ac
17-06-2010 17:51
Gostei do artigo tudo o que está escrito é a pura da verdade mas é muito dificil lidar com a ansiedade quando ela nos afecta diariamente,
FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.