Psicoastro - Psicologia e Astrologia com Fernando Barnabé
 
 

J) Perturbação Obsessiva Compulsiva da Personalidade


A perturbação Obsessiva Compulsiva da Personalidade é caracterizada essencialmente pela preocupação excessiva que estas pessoas apresentam relativamente à ordem, perfeccionismo e controlo mental e interpessoal, de tal modo, que perdem a finalidade das actividades a que se propõem.

Mantém o controlo através de uma atenção meticulosa com regras, pormenores triviais, procedimentos, listas, esquemas ou formalidade muito à custa da necessária flexibilidade, abertura e eficiência.

São excessivamente cuidadosas, ao ponto de numa qualquer actividade verificarem inúmeras vezes possíveis erros. Com todos estes procedimentos esquecem o facto de as pessoas poderem ficar aborrecidas com os atrasos e inconvenientes que resultam do seu comportamento.

A organização do tempo é mal gerida e em regra os objectivos mais importantes ficam para o fim. Impõem a si próprias um grande perfeccionismo e exigências de alto rendimento que lhes causam sofrimento e disfunção significativa.

O seu envolvimento em aperfeiçoar cada pormenor de um projecto é tão grande que normalmente esse projecto não chega ao fim. Por exemplo, a elaboração de um relatório escrito pode ser atrasado por numerosas perdas de tempo a reescrevê-lo para que tudo fique uma perfeição, o resultado é que outros aspectos da vida individual que não estejam associados àquela actividade se desorganizam.

A sua devoção em relação ao trabalho e produtividade é tão excessiva, que excluem da sua vida as actividades de lazer e até os amigos e ao contrário do que se possa pensar, este comportamento não é motivado por necessidades económicas.

Sentem que não têm tempo para uma noitada ou fim de semana de descanso e podem adiar as actividades de lazer, ou as férias, ao ponto de nunca chegarem a concretizá-las. Aliás quando partem para férias, sentem-se frequentemente desconfortáveis, a não ser que tenham algo para fazer relacionado com trabalho a fim de não desperdiçarem o tempo.

Pode haver também uma grande concentração nas actividades domésticas, por exemplo, dedicarem-se excessivamente a limpezas de tal modo que se possa até comer no chão. Se estão com amigos é como estar numa actividade organizada, têm dificuldade em relaxar, deixar fluir o tempo.

Os interesses ou actividades recreativas, por exemplo, são vistos como objectivos sérios, que requerem planificação cuidadosa e trabalho duro. Podem transformar uma simples brincadeira num objectivo estruturado, por exemplo: podem corrigir uma criança que está a começar a aprender a andar de bicicleta, mostrando-lhe que não está a andar em linha recta.

Mas existem ainda outras características que nos permitem estabelecer um diagnóstico de perturbação obsessiva-compulsiva da personalidade. Imaginem uma pessoa, excessivamente conscienciosa, escrupulosa, inflexível acerca de matérias como a moral, ética, valores e que para além disso se pode esforçar para que os outros sigam esses princípios morais rígidos. Imaginem ainda que esta pessoa respeita rigidamente a autoridade e as normas insistindo no seu rigoroso cumprimento, sem aceitar circunstâncias atenuantes para nenhuma delas.

Por exemplo, não emprestar uma moeda a um amigo para telefonar, porque lá diz o ditado: “nem emprestar nem pedir emprestado” ou porque em seu entender seria “mau” para o carácter da pessoa. Esta pessoa tem necessariamente uma perturbação obsessiva compulsiva da personalidade.

Existem ainda outras particularidades que lhes são características; não são capazes por exemplo, de se desfazerem de objectos inúteis, mesmo que eles não tenham valor sentimental; o acto de se desfazerem de objectos é sentido como esbanjador, isto porque consideram que podem eventualmente vir a precisar de algum desses objectos. Esta particularidade pode ser fonte de grandes aborrecimentos se alguém o confronta com o facto de haver muito espaço ocupado com trastes velhos, revistas e objectos estragados que não têm qualquer utilidade.

Em termos profissionais têm grande dificuldade em delegar funções ou trabalho nos outros e quando o fazem insistem obstinada e insensatamente que tudo deve ser feito à sua maneira para além de exigir que todos se devem conformar a isso.

Geralmente têm o hábito de fornecer instruções detalhadas sobre o modo como se devem executar determinadas tarefas, por exemplo para estas pessoas só há uma e uma só maneira de aparar a relva, lavar a loiça ou construir uma casa para o cão, ficando muito surpreendidos e irritados se alguém lhes sugerir uma alternativa criativa. Podem até rejeitar ofertas de ajuda, mesmo que elas obedeçam aos seus esquemas, isto porque não acreditam que alguém as execute de forma correcta.

Em alguns casos podemos verificar que as pessoas com esta perturbação tendem a ser miserabilistas e avarentas, mantendo até um padrão de vida muito aquém do que podem, isto porque estão convictas de que os gastos devem ser controlados como forma de prevenir eventuais catástrofes.

Se o padrão de comportamento que caracteriza a perturbação obsessiva-compulsiva da personalidade é já por si motivo de grande inquietação e ansiedade imaginem que para além desta perturbação, a pessoa apresenta ainda uma outra, com um termo muito semelhante (perturbação obsessiva-compulsiva, apenas).

Como é que podemos distinguir estas duas perturbações? Não é difícil, porque o sujeito deve apresentar ainda, para além de algumas características já sublinhadas para a perturbação obsessiva-compulsiva da personalidade, ideias obsessivas de dúvida e de contágio.

Isto pode fazer com que gaste imenso tempo em actividades de verificação e de lavagem, às quais chamamos compulsões, que não são mais do que rituais para aplacar a ansiedade que o sujeito sente pelo facto de que, e independentemente da sua vontade lhe surgirem com frequência à consciência ideias recorrentes que persistem em torturá-lo.

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FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.

Desde a adolescência que se sentiu atraído pelo estudo do esoterismo. A Astrologia, no entanto, revelou-se, pela sua linguagem rica em simbolismo e significado...


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