Psicoastro - Psicologia e Astrologia com Fernando Barnabé
 
 

I) Perturbação Dependente da Personalidade


Falando-vos agora um pouco sobre a perturbação dependente da personalidade, diria que, a sua característica essencial consiste numa necessidade persistente e excessiva de ser cuidado, o que dá origem a um comportamento submisso, pegajoso e angústia de separação. Os comportamentos dependentes e submissos têm origem na auto percepção de incapacidade para funcionar adequadamente sem a ajuda dos outros. Esta padrão tem início na idade adulta, mas já pode ser constatado por altura da adolescência.

Estas pessoas têm muita dificuldade em tomar decisões do dia-a-dia sem que haja um reforço e aconselhamento excessivo dos outros, por exemplo: algo simples como não saber que camisa ou vestido levarão para o trabalho. Têm tendência para a passividade, permitindo que os outros (normalmente uma só pessoa) tomem iniciativas e assumam responsabilidades em áreas muito importantes da sua vida, a compra de uma casa, de um carro, se devem ou não ter filhos.

Os adultos com esta perturbação dependem tipicamente de um parente ou do cônjuge para decidir onde viver, o tipo de profissão a ter e qual a vizinhança mais adequada para estabelecer amizades. Por seu lado os adolescentes podem permitir que os pais decidam sobre a sua maneira de vestir, os seus amigos, os seus tempos livres e sobre a escola e universidade a frequentar.

Esta necessidade em colocar nos outros a responsabilidade está para além da idade e das circunstâncias da ajuda normal, por exemplo, as necessidades específicas da infância, das pessoas idosas ou incapacitadas.

Pelo medo de perder suporte ou aprovação, têm habitualmente dificuldade em discordar dos outros, especialmente daqueles de quem são dependentes. É tal o sentimento de incapacidade para funcionarem sozinhas que preferem concordar com coisas que sentem estar erradas a perder aqueles que os orientam.

Nos momentos apropriados à expressão da zanga, não a manifestam com medo de perderem o seu objecto de amor. Imaginem agora que as preocupações com as consequências da expressão de desacordo são reais, por exemplo: o medo real de um cônjuge vingativo, neste caso o comportamento não deve ser considerado indicador de Perturbação Dependente da Personalidade.

Têm dificuldades em iniciar projectos ou funcionar autonomamente porque não têm autoconfiança, no entanto são capazes de funcionar adequadamente se tiverem assegurado que alguém as supervisionará e aprovará.

Porque entregam aos outros a resolução dos seus problemas, habitualmente não desenvolvem as competências que lhes permitem viver independentemente, perpetuando assim a dependência. A sua necessidade de suporte é tão grande que podem chegar ao ponto de se oferecerem como voluntários para o cumprimento de tarefas desagradáveis, se este comportamento lhes trouxer os cuidados que necessitam.

Estes comportamentos vão ter necessariamente consequências no plano afectivo porque a necessidade em manterem uma ligação estreita origina relacionamentos distorcidos ou desequilibrados, envolvendo sacrifícios extraordinários, como por exemplo a tolerância de abusos físicos, verbais ou sexuais.

As pessoas com esta perturbação sentem-se tão desconfortáveis ou desamparadas quando sozinhas, pelo medo exagerado de serem incapazes de cuidarem de si próprias, que podem até estabelecer contactos com outras pessoas apenas e só para evitarem a solidão. Quando uma relação importante termina, por ruptura ou morte, o comportamento mais frequente é a procura urgente de outra relação substitutiva que lhes proporcione o suporte que tanto necessitam.

A sua crença na incapacidade de funcionarem na ausência de uma relação próxima faz com que estas pessoas se liguem indiscriminadamente e rapidamente a qualquer pessoa para colmatar o sentimento de serem deixados entregues a si próprios.

Consideram-se tão dependentes da ajuda de alguém que vivem preocupados pelo abandono dessa pessoa, mesmo que não tenham fundamentos concretos. Mas para serem considerados indicadores como critério de diagnóstico, estes medos devem ser excessivos e pouco realistas. Não será por exemplo o caso de um homem idoso que se muda para casa dum filho. Ele mostra um comportamento dependente, mas adequado às circunstâncias de vida.

As pessoas com a Perturbação Dependente da Personalidade são frequentemente caracterizadas por pessimismo e dúvidas, tendendo a minimizar as suas capacidades e posses, referindo-se constantemente a si próprias como “estúpidas”. Tomam a crítica e a desaprovação como provas da sua desvalorização, perdendo com frequência a confiança. O funcionamento profissional, por exemplo, pode estar diminuído e se for necessário tomar iniciativas independentes, declinam funções de responsabilidade a fim de evitar a ansiedade gerada pela necessidade em tomar decisões.

É muito frequente as relações sociais tenderem a limitar-se às poucas pessoas de quem são dependentes, podendo haver um aumento de risco de Perturbações de Humor e Perturbações de Ansiedade.

A doença física crónica e a Perturbação de Angústia de Separação na infância ou adolescência podem, muitas vezes, predispor as pessoas a esta perturbação. Em contextos clínicos esta perturbação está entre as perturbações da Personalidade mais frequentemente diagnosticadas, com maior incidência nas mulheres.

Deixe o seu comentário
 

© 2008 PSICOASTRO - Todos os direitos reservados.
Todos os conteúdos e trabalho gráfico apresentado, estão protegidos por leis de propriedade intelectual.

FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.

Desde a adolescência que se sentiu atraído pelo estudo do esoterismo. A Astrologia, no entanto, revelou-se, pela sua linguagem rica em simbolismo e significado...


(+351) 91 845 54 45