A perturbação esquizotípica da personalidade integra também o grupo A e surge nas pessoas que sentem um desconforto agudo face aos contactos a nível social para além de uma capacidade reduzida para relações de proximidade, apresentando ainda distorções das funções cognitivas e perceptivas e comportamento excêntrico. Este padrão começa no início da idade adulta e reflecte-se nos vários contextos em que a pessoa se move.
Com frequência apresentam ideias de referência, por exemplo, interpretam incidentes ocasionais e acontecimentos externos como tendo um significado inabitual e particular, especialmente para elas.
Podem ser supersticiosas ou apresentar preocupações em relação a fenómenos paranormais, sentir que têm poderes especiais para antecipar acontecimentos ou capacidades para ler pensamentos. Porque têm a certeza que possuem um controlo mágico sobre os outros, podem acreditar por exemplo: que a ida da vizinha com o cão à rua, resultou do facto de uma hora antes terem pensado nisso; ou indirectamente, passar três vezes pelo mesmo objecto para evitar um futuro prejuízo. Podem existir alterações perceptivas, como por exemplo: sentirem que alguém está presente ou ouvir uma voz murmurar o próprio nome.
O discurso é normalmente um fraseado e construção inabitual e as suas respostas podem ser absolutamente concretas ou abstractas, utilizando muitas vezes palavras e conceitos que eles próprios inventam, por exemplo, a pessoa pode determinar não estar “falável” no trabalho, como forma de dizer que não quer comunicar.
Tal como na perturbação paranóide da personalidade, estas pessoas são frequentemente desconfiadas, por exemplo: podem acreditar que os colegas de trabalho tencionam denegrir a sua reputação junto da chefia; e não são capazes de captar uma gama variada de emoções e subtilezas interpessoais necessárias ao êxito relacional, interagindo, em regra, de forma inapropriada, rígida e restrita.
São consideradas bizarras e excêntricas pelos seus invulgares maneirismos ou pela forma descuidada de vestir “sem condizer” e pela sua desatenção às convenções sociais (por exemplo estas pessoas podem evitar o contacto com o olhar, vestir roupa não adequada a determinados contextos e mostrar-se incapaz de participar numa conversa de café com os seus colegas de trabalho). Há como que um embotamento da expressão emocional e afectiva, são pessoas frias distantes, com tendência à solidão.
Amigos ou confidentes têm poucos ou nenhuns e as situações sociais que envolvam pessoas desconhecidas criam-lhes grande ansiedade. Por exemplo, numa festa, em vez de se sentirem mais relaxadas à medida que o tempo passa, podem até ficar mais tensas e desconfiadas, por isso só interagem com os outros quando necessário, preferindo a reserva relacional porque se sentem diferentes, especiais, um pouco à margem do sistema.
Esta perturbação pode já aparecer na infância e adolescência com solidão, relacionamento interpares empobrecido, ansiedade social intensa, insucesso escolar, pensamento e linguagem peculiares e fantasias bizarras.
Tal como nas perturbações de que já falámos, também esta é ligeiramente mais frequente nos homens, havendo evidência de factores genéticos associados.
FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.