Psicoastro - Psicologia e Astrologia com Fernando Barnabé
 
 

O seu Deus Interior


Conheceram-se numa pista de dança. Ele olhava-a de quando em vez, ela sentia-se agradada por ser alvo do seu insinuante interesse. Ela trazia par, mas não parecia haver entre eles um envolvimento que denotasse qualquer vínculo amoroso. Era isso que ele tentava ajuizar, enquanto encostado a uma coluna do recinto, deixava escorrer pela garganta, sem qualquer pressa, uma bebida que segurava entre as mãos.

Ela olhava-o timidamente, meneando sensualmente as ancas, enquanto o seu “par” vagueava pela pista alheando-se da sua presença.

Era tempo de “avançar” pensou, quando um olhar mais incisivo e totalmente correspondido lhe transmitiu a confiança suficiente para cumprir o que o seu pensamento há muito vinha insinuando. Deu dois passos na sua direcção, mas ficou tolhido pela aparição súbita do acompanhante que se acostara a ela tentando seguir-lhe o ritmo, ao mesmo tempo que trocavam sorrisos e palavras inaudíveis.

Uma espécie de esmorecimento percorreu-lhe o corpo e a mente; pensou em desistir, ir-se embora dali. Lembrou-se de uma frase de um sábio amigo – “há sempre um lugar e um tempo certos para que algo significante aconteça”, mas a curiosidade superou a sapiência da dita e pediu mais uma bebida; seria a derradeira.

Ela percebeu a sua inquietação. Sabia que seria pouco provável que ele resolvesse falar-lhe enquanto a dúvida ainda existente sobre a natureza amorosa que a unia ao seu “par” não fosse rapidamente desfeita. Tentou pois apartar-se subtilmente de forma a ficar “isolada”, mas, por qualquer inexplicável capricho, o seu acompanhante dela não se arredava.

Ele olhou para o relógio. A noite ia alta. Bebeu o que restava à pressa, enquanto lhe dirigia um olhar resignado, desistente; a frase sábia, do sábio amigo martelou-lhe a mente mais uma vez: “há sempre um lugar e um tempo certos para que algo significante aconteça”.

Decidido, dirigiu-se para o túnel que dava acesso à saída. Percorreu apenas uns quantos metros e estacou inexplicavelmente como se algo superior lhe dissesse – “há sempre um lugar e um tempo certos para que algo significante aconteça, por isso volta e cumpre o teu destino”.

Voltou. Na pista não avistara o “par” nem tão pouco a sua eleita, mas rapidamente percebeu que ela vinha ao seu encontro exalando uma fragrância quente e inesquecível. Trocaram algumas palavras, poucas, mas cheias de significado.

Os anos passaram, e hoje, para além do seu sábio amigo, ele ainda escuta e confia no seu Deus Interior.

Fernando Barnabé

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FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.

Desde a adolescência que se sentiu atraído pelo estudo do esoterismo. A Astrologia, no entanto, revelou-se, pela sua linguagem rica em simbolismo e significado...


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