Psicoastro - Psicologia e Astrologia com Fernando Barnabé
 
 

Menino do rio


Era uma vez um homem a quem um dia chamaram "menino do rio". Foi chamado assim e sorriu. Não se lembrava de alguém lhe haver chamado menino, muito menos do rio. Comovido por tão nobres palavras, deixou-se transportar pelos horizontes da memória e ficou ali, sentado no seu cais, a recordar tempos passados. Dos longos anos que manteve a inocência e a ilusão que caracterizam os meninos. Dos tempos que correu nos montes, que nadou no rios, que tratou por tu as gaivotas e os pescadores, até ao dia em que o rio que lhe enchia os olhos e a alma, se tornou pequeno demais para as suas braçadas sonhadoras e o aconselhou a embarcar no grande barco da vida a enfrentar outras marés.

Obedeceu à sua sorte e partiu, sem nunca largar mão do leme, navegando nessa grande viagem entre ondas de felicidade e prazer, e fortes correntes de desilusão. Cruzou centenas de rios, em todos pescou, amizades, paixões, momentos de tesão loucos e fúteis. Coleccionou cabazes de corações, sem nunca conseguir perder o seu, por já o ter emalhado noutras linhas. Voou sete mares de aventuras, ora em cockpits de aviões supersónicos, ora pendurado nas garras de condores. Provou nuvens em rama, bebeu pingos orvalhados de várias constelações. Valeu-se de cascas de noz, de barcos de papel, sem bússolas nem radares, ou de torres de porta-aviões, mas nunca se deixou naufragar.

Sentiu-se muitas vezes submerso no fundo de um mar de injustiças, arrastado pelas correntes dos seus sonhos, soterrado nas lamas do mundo, preso nas redes da sua ambição e nos fundões da maldade dos outros, mas sempre, sempre a sua alma guerreira o trouxe á costa. Sempre ao fim de cada tempestade veio a calmaria. Sempre existiram sereias e ninfas e Yemanjás que o salvaram e o embalaram entre lençóis de algas marinhas, despertando-o em cânticos de amor e felicidade, secando-lhe as lágrimas com seus cabelos prateados. Foi pilar de ponte onde muitos cruzaram. Foi chão onde outros pisaram. Foi ombro amigo, porto seguro, mastro, vela e leme. Foi criança alegre perseguindo o rabo de uma estrela. Foi menino feliz, antes de conhecer a tristeza que se prolongou por várias vidas, onde tantas vezes se sentiu órfão do seu rio, de pai e mãe e de carinho. Carente de abraços e sorrisos. Talvez por isso, foi também por vezes "Capitão Gancho", pirata cruel. Hoje, ao homem que nunca deixou de ser menino, só lhe apetece soltar âncoras, encalhar em qualquer ilha deserta de correrias e de planos. Criar raízes, plantar uma árvore, escrever um livro, contar histórias aos netos e a um cão. Longe de tudo, num qualquer casebre cercado de pinhos verdes e pássaros de várias cores, junto à foz de um rio, com vista para o mar...

Francisco Vieira
http://namoradodaria.blogspot.com/

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FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.

Desde a adolescência que se sentiu atraído pelo estudo do esoterismo. A Astrologia, no entanto, revelou-se, pela sua linguagem rica em simbolismo e significado...


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