Cresciam-lhe as lágrimas à medida que lhe fazia a barba e o vestia com as roupas que o acompanhariam à ultima morada. Não lhe sabiam a sal aquelas lágrimas, antes a raiva, a dor e a mágoa.
Tanta injustiça, perguntava-se, tanta fé deitada por terra. Ele não tinha o direito de o levar assim, agora que começara a conhecê-lo. A vida, pensou, não tem qualquer nexo, tudo é incerto, e nós, marionetas eternamente condenadas à mercê dos seus caprichos.
Como pode ser vã a luta pelo existir… afinal o que é existir? luta, sangue, suor, lágrimas, alguns sorrisos, pequenas alegrias…
Dói tanto, quando penso que o poderia vir a conhecer...foi ele que me fez ver a luz do dia, me viu dar os primeiros passos, me viu erguer e procurar novos horizontes, mesmo que nunca tivessemos sentido num abraço o calor do mesmo sangue…
Levaram-mo…
Ele não tinha esse direito…
Fernando Barnabé
FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.