-“Deseja-me sorte”... Dizias agarrada ao telefone. Mal se te percebia a voz cansada…- ”Deseja-me sorte”, repetias, enquanto te preparavas para dar entrada no hospital.
Fiquei em silêncio, sentido a tua aflição: - “Deseja-me sorte”. Era óbvio que querias ouvir uma voz, algo a que o teu coração se apoiasse, uma tábua que não te deixasse afundar. Desejei-te sorte e tu desligaste depois de ouvires as minhas últimas palavras de esperança.
Dois dias depois soube que o teu coração pedira tréguas…Desde tenra idade que ele sabia o trabalho intenso que teria pela frente, não é verdade minha querida?
Foste uma heroína, porque sobreviveste sem sentires o afago do amor, o beijo enamorado, o desejo do corpo cumprido e o sorriso das crianças de quem tanto gostavas. Lembro-me que dizias que nunca poderias ser mulher…e eu só podia compreender a tua dor.
No dia em que me juntar a ti andaremos de baloiço, jogaremos à cabra cega e descalços correremos na relva verdinha que há no céu...
Até logo minha querida!
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FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.