Sentia ainda o viço no sangue daí que nunca pensara na sua própria finitude.
Um acontecimento súbito, um “acaso significativo” como então comentou, fizera-o reflectir seriamente sobre a lei da impermanência.
Caminhava por entre um corredor que protegia os transeuntes dos perigos inerentes a um prédio em remodelação, ao mesmo tempo que ia falando ao telefone com um amigo de longa data. Subitamente, um ferro de dimensões letais caído dos céus, ultrapassou o tecto protector através de um orifício ali existente, vindo, com estrondo medonho, procurar os seus pés. A primeira reacção foi de incridebilidade, depois, algo indiscritível, foi-lhe tomando o corpo e o espírito. Podia ter morrido ali...
Pensou de imediato na brevidade da vida e na impermanência de todas as coisas. Afinal, tudo no Mundo, no Universo, obedece à lei da impermanência, independentemente da vontade de cada um de nós.
Este acontecimento mudou por completo o sentido e o significado que até então atribuíra ao viver. A dimensão da sua consciência expandira-se. Sentia quietude na alma e que o seu mester era valorizar o aqui e o agora, vivendo cada minuto da vida com absoluta paixão. As ânsias e os desejos pareciam-lhe agora absolutamente ridículas.
Fernando Barnabé
FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.