Há um tempo para pensar o verdadeiro significado da vida, a nossa verdade face à vida, e, é inevitável que nesse exercício de pensar, surja também à mente o significado do já não estar aqui, como corpo presente.
Mergulhar bem fundo dentro de nós traz à tona todos os sonhos, os realizados, os que continuam sendo utopia e os que se perdem pelo caminho pelo inelutável querer daquilo a que muitos chamam, fado, destino, a vontade divina... mas não será todo o nosso existir um fado?
Pode ser fácil erigir um sonho irrealizável, basta que para isso uma conjugação de forças se cruzem e se enlacem à volta desse objectivo, mas o contrário também é verdade, num ínfimo segundo podemos ver extinguir-se o nosso castelo, as nossas muralhas, os nossos sonhos, a nossa própria vida e a dos que mais nos são queridos. Haverá coerência no nosso fado? Vivemos segundo o que a nossa mente arquitecta ou viajamos ao sabor de uma vontade maior que nos vai planeando ou planeou o trajecto?
Quantas vezes, mesmo sentindo que a nossa missão, enquanto aqui permanecemos, se nos afigura válida e muitas vezes sublime, carregamos connosco esse sentimento de incompletude, pressentindo que ali ao nosso lado, ao alcance de um golpe de asa se encontra o verdadeiro sentido do existir ou a verdadeira afirmação da nossa natureza e competências. Como podemos dar um passo na sua direcção se essas imagens prometeicas que a nossa psique constrói mais parecem uma amalgama de pensamentos desconexos mascarados de tons de liberdade e autonomia, qual devaneio a que nos arraigamos como naufrago à sua tábua?
A resposta estará porventura na crença de cada um de nós, na fé que transportamos, ou, acreditando simplesmente, que pela nossa vontade e determinação, pelo poder do pensamento positivo, o caminho será inevitavelmente revelado.
Fernando Barnabé
FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.