Vagueio à procura das palavras,
As que bastem ao poema.
Ignoram-me.
Fogem por entre ruelas escusas,
Esgueiram-se em surdina
No negrume da noite
Em passos de cetim;
Quase as alcanço num golpe de luz,
Num lampejo da alma
Que logo se desvanece.
Riem-se de mim…
Lançam-me injúrias:
Predador,
Insaciável,
Voraz criatura…
Ignoro-as.
Recolho-me em silêncio,
Na quietude das mãos.
Pode esperar o poema.
Fernando Barnabé
FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.