Psicoastro - Psicologia e Astrologia com Fernando Barnabé
 
 

Passeio à beira da realidade


Sinto-me apartado de tudo quanto possa ser fixo, concreto, estático. Deixei o convívio dos arcos de nossa arquitetura inexorável, das magias e místicas que são a um só tempo ciência e desconfiança, para tornar-me parte da viagem infinita de Ulisses, do segredo sutil que encerram os ideogramas chineses; para abraçar-me desesperadamente a essa eternidade cilíndrica, que nos deixam apenas entrever os telescópios e os planetários.
Quero compreender o mistério, o ímpeto, e rejubilo-me em êxtase apenas porque Páris raptou Helena;
porque os deuses existem, e pobres criações, ignoram-se a si próprios;
porque Stravinsky compôs Petrouchka;
porque os mistérios são inexauríveis, infinitos e inexplicáveis; porque o jogo geométrico da dialética se insinua em cada objeto mínimo que nos rodeia com seu enigma indecifrável;
porque percebo o verde, o amarelo, o azul; porque diferencio os sons;
porque amo o cheiro das mulheres e das livrarias;
porque algumas vezes cheguei perto do enigma que encerram todas as mulheres e todos os livros;
porque há mil anos a Terra era povoada por cavaleiros cobertos de ferro;
porque os homens do futuro explorarão galáxias que a ciência me informa e, ao mesmo tempo, impotente, nega;
porque o tempo nos permite olhar para nós mesmos da mesma forma que olhamos o outro; porque não acho que exista uma linha divisória entre o real e o irreal; porque o vinho tem um sabor delicado e antigo;
porque Cristo foi crucificado e ressuscitou;
porque Cristo talvez jamais tenha existido;
porque todos os anos a Primavera desabrocha cravos vermelhos que parecem querer devorar-me;
porque me trancava às escondidas na biblioteca de minha casa e lá encontrava-me com heróis e criaturas mitológicas, históricas e imaginárias;
porque ainda posso voar nos tapetes encantados da Pérsia, e sobre eles, discutir álgebra com doutores do Islão;
porque é possível dar forma a tudo o que imaginamos, como imaginamos;
porque existem palácios maravilhosos, não importa se lendários ou reais;
porque é possível visitar a todos eles; porque em uma visita a Versalhes conversei por mais de uma hora com Luís XIV, em meio a turistas que entretidos com suas máquinas fotográficas, não percebiam a presença do rei;
porque jamais tive uma noção perfeita do mundo que me cerca;
porque me dispo da armadura e visto uma toga, tão logo uma coluna branca me cruze o caminho que vou trilhando como Roland ou Parsifal.

Eduardo Bechara

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FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.

Desde a adolescência que se sentiu atraído pelo estudo do esoterismo. A Astrologia, no entanto, revelou-se, pela sua linguagem rica em simbolismo e significado...


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