Foi quando alcançou o cume da montanha e viu que tinha frio
que percebeu o quanto tinha errado, o quanto deixara pelo caminho. A ambição desmedida com que sofregamente procurara o sucesso fê-lo manipular, seduzir, e, como um vampiro, beber o sangue dos incautos.
Era tarde e a noite caía…
Como um pássaro sem ninho, ali ficou, imóvel, contemplando o espectáculo desolador que se avistava do alto… Perguntava-se agora porque se sentia infeliz…Porque alcançado o cume a vida se lhe afigurava vazia e sem sentido. Procurou a chave do cofre onde guardava tesouros incalculáveis…abriu-o à pressa, e porque a alma lhe gelava suspirando por uma réstia de afecto,
retirou do habitáculo um velho urso de peluche que o acompanhava desde a sua meninice.
Apertou-o contra o peito balouçando-se num vaivém interminável.
Era o único que o amava.
Fernando Barnabé
FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.