Era tarde e tu não chegavas...A sala era uma nuvem de fumo aflita.
Porque tardavas tanto? Porque não respondias às minhas mensagens repetidamente tolas?
Puxei por mais um cigarro. Queria consumir-me em desventura...
Nem as preces que entoava numa voz surda e oca me faziam acreditar...
Secavam-me o coração e a boca; o corpo mirrava, à medida que a alma soçobrava ao turbilhão de pensamentos que me golpeavam o ser.
Desesperado saí à rua gritando o teu nome, mas ninguém respondia à chamada...
Sentia um suor frio escorrer-me pela face ao mesmo tempo que um fogo intenso parecia sacudir-me o peito e a garganta amordaçados pela angústia.
Voltei a casa e ao quarto onde deixaras alguns pertences; beijei-os a todos sofregamente, inebriado pelo perfume quente que deles se desprendia e chorei de raiva e ciúme ao pensar que outro qualquer pudesse naquele momento incendiar-te o corpo, alimentar-te a chama.
Deixei de respirar por momentos...Sufocava aflito na minha obsessiva visão, quando senti que alguém me afagava o rosto e me bebia as lágrimas...
Só então pude ver no meu despertar o encanto dos teus lábios.
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FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.