Nem sempre se cria quando se quer. O poema não brota da pena para o papel, sem constrangimentos, sem demoras; a inspiração, depende da abertura de insondáveis canais, daí que musas e tágides, sempre fizeram parte de exortações inflamadas, como se de verdadeiras preces se tratassem.
Pouco sabemos sobre o modo como o processo criativo se desenrola, mas parece depender de uma profunda necessidade da alma. Não é portanto, um processo linear; não é poeta quem quer; é-se poeta quando um desígnio insinuante nos cresce nas mãos, na alma, no corpo todo, e este processo, que tanto tem de indecifrável como de misterioso, é como um fogo inextinguível, um acto de redenção e de amor, nascido do ventre das memórias, depósito das muitas almas que fomos.
Infindáveis são as histórias, as dores e os desamores, as suas e as do mundo, que o poeta cuida, sem no entanto saber que tantas sabe... E é no dizer, na sua forma própria de se expor em alma, que o poeta a imortaliza e se eleva em luz!
Fernando Barnabé
FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.