Chove lá fora.
Chuva miudinha pegadiça, caindo com a noite de mansinho.
Lembranças afloram insinuantes despertadas talvez pelo cinzento dos céus.
Já as conheço…de outros tempos, de outras idades.
Só querem que lhes dê importância...
Ignoro-as, deixando simplesmente que vagueiem sem que o meu pensamento se demore.
Não lhes dou tempo para que ergam bastiões e me cerquem esperando o momento da rendição.
Odeiam que lhes diga que são as minhas melhores amigas; o passado que construiu o meu presente, a mola que me projecta no futuro.
Feridas e obsoletas, escondem-se cobardes num qualquer lugar da memória.
Sei que voltarão, numa noite cinzenta qualquer, talvez mais arrogantes e torrenciais, como a chuva que agora cai ferindo a calçada.
Fernando Barnabé

14-07-2010 14:28
Cheguei por acaso aqui em seu espaço, parei por curiosidade e encontrei-me em cada palavra deste seu texto… Lindo!
Um abraço
FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.