Não sei porque prendes as palavras…aquelas que deveriam ser ditas…as mais importantes…as que se partilham quando o coração sofre… mas eu conheço-te…conheço-te de há muito…
Tens medo…sempre tiveste medo da realidade…é mais fácil trilhares os caminhos da ilusão, como escravo que nunca procurou a liberdade…
De que te serve viver num palácio se nele existem masmorras onde vives em clausura, implorando ao teu santo que te alivie o pesadelo?
Acaso não mora em ti o bem mais valioso – o teu humanismo, o teu verdadeiro baluarte? Porque fazes dele a tua fraqueza? Porque o ofereces a troco de algumas migalhas de afecto?
Quando quiseres chorar …eu estarei lá para amparar-te nas lágrimas; se acaso caíres…eu estarei lá para te aliviar a queda….mas ergue-te e luta…
Não magoes o teu próprio coração, orgulha-te dele… não deixes que o transformem num cubo de gelo. Sê tu…inteiro.
Que não te sirvam de modelo abraços mecânicos, postiços, daqueles que dão esperando a oportunidade de colher.
Deixei de ser o teu confidente e isso dói…mas continuo a saber ler-te através dos sinais que deixas pelo caminho…
Tenho pena que não soltes as palavras…tenho pena que não me abras o coração.
Fernando Barnabé
FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.