Enquanto o Sol mergulhava mar adentro deixando antever um auspicioso alvorecer e o vento sacudia de mansinho a areia morena, insinuava-se à mente um pensamento que parecia querer competir com a magia do entardecer. Tentei fazer-lhe frente observando o voo da gaivota, ou estendendo o olhar sob o tecto azul que em breve veria nascer as estrelas…em vão. Numa espécie de balanço, perguntava-me sobre a coragem e a energia que é preciso despender para continuar a lutar pelas nossas convicções, sobretudo quando elas não encontram eco no país que é o nosso, mas se impõem cada vez mais por esse mundo fora como verdades incontornáveis.
Pensava nos psicólogos portugueses, estudiosos da Astrologia, que eu sei que existem, defendendo os fundamentos de uma interacção cada vez mais pertinente entre a Psicologia e a Astrologia. Porque não se fazem ouvir? De que têm medo? Acaso não devemos divulgar com verdade os nossos ideais? Porque amordaçamos a palavra se é ela que liberta e nos liberta?
Devemos dar o exemplo e mostrar que a Astrologia, em si mesma, reunindo um conjunto de saberes, entre eles a Psicologia, a Matemática, a Geometria e a Filosofia, para não citar outros, não pode ser relegada para um plano especulativo, equiparado à adivinhação e à charlatanice.
É tempo de, sem medo e com rigor, soltar a voz e trabalhar no sentido de passar a mensagem das estrelas. Demonstrar que a Lei da Correpondência de Hermes Trismegistus - "O que está em cima é como o que está embaixo e o que está embaixo é como o que está em cima"; dito de outra forma, o que é verdadeiro no macrocosmo também o é no microcosmo e vice-versa, permitindo-nos aprender e integrar as grandes verdades cósmicas e as suas manifestações no próprio ser.
A reflexão foi abruptamente interrompida...uma gaivota mais afoita pousou a poucos metros de mim…não fora ela e não me teria apercebido, que o Sol, já há algum tempo se despedira…era tempo de regressar.
Fernando Barnabé
FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.