Os acidentes de abstinência são muito mais raros do que os sinais menores ou pequenos sinais de privação. Sobrevêm em 5% dos dependentes alcoólicos. Estas síndromes, quaisquer que sejam a sua expressão clínica e a sua gravidade, surgem nas doze horas que se seguem à cessação ou redução do consumo de álcool.
A síndrome de abstinência pode ocorrer devido à interrupção voluntária de álcool, mas é mais frequente após uma cessação involuntária causada, por exemplo, por uma complicação intercorrente. Nalguns casos e, em especial, nos sujeitos idosos, a síndrome de abstinência pode aparecer mais tardiamente, vários dias ou mesmo semanas após a interrupção da intoxicação.
- Principais formas de acidentes de abstinência:
- Delirium Tremens
- Delírio alcoólico subagudo
- Epilepsia
Os sintomas atingem a sua intensidade máxima no segundo dia e diminuem significativamente no quarto ou quinto dias. Todavia, podem ocorrer formas persistentes caracterizadas por perturbações do sono, ansiedade e perturbações do sistema nervoso autónomo durante vários meses.
- Principais formas de abstinência alcoólica (Miller e Gold, 1991)
Tremores; Suores; Taquicardia; Midríase; Febre; Hipertensão; Epilepsia; Agitação; Ataxia; Instabilidade; Hiperactividade; Ansiedade Perturbações da atenção Ilusão; Alucinações (zoopsias frequentes); Desorientação (têmporo-espacial); Delírio onírico.
- Delirium Tremens
O delirium tremens é a forma mais característica e mais grave dos acidentes de abstinência. Sobrevém nas intoxicações alcoólicas antigas e abundantes. O delirium tremens é muitas vezes induzido ou revelado por uma doença somática:
- insuficiência hepatocelular;
- pneumonia
- hemorragia gastrintestinal;
- sequelas de traumatismo craniano (hematoma subdural);
- hipoglicemia
- stress pós-operatório;
- desequilíbrio hidroelectrolítico;
- pancreatite;
- fractura ou outro traumatismo.
O delirium tremens surge brutalmente ou é anunciado por pequenos sinais de abstinência, às vezes por uma crise comicial. Sobrevém mais frequentemente dois a três dias após a interrupção ou a redução de uma ingestão abundante de álcool.
Na sua fase de estado, o delirium tremens configura um estado extremo de agitação psicomotora confuso-onírica, comportando:
- perturbações da consciência com confusão mental, desorientação têmporo-espacial. O paciente, agitado e desorientado, apresenta grandes perturbações da fixação mnésica;
- tremores intensos e generalizados, predominando na língua e extremidades, por vezes associados a disartria;
- hipertonia oposicional;
- grande ansiedade repentina;
- delírio alucinatório sensorial e cenestésico de tipo onírico, muitas vezes acompanhado de alucinações auditivo-verbais. O delírio, rico, é muito angustiante para o paciente. A participação do sujeito na actividade onírica é clássica, sendo a cena vivida com envolvimento total (delírio de ocupação);
- o doente pode viver cenas de onirismo semelhantes ao sonho, cujos temas são assustadores (catástrofe) ou cenas da vida profissional. São clássicas as zoopsias, visões de animais, quase sempre ameaçadores. Associam-se também às alucinações psicossensoriais interpretações delirantes e ilusões (percepções
deformadas). Os sintomas delirantes, aumentados pela obscuridade e o adormecimento, provocam uma agitação por vezes extrema com o risco de actos auto ou heteroagressivos, directamente relacionados com os fenómenos
alucinatórios;
- perturbações vegetativas e sinais gerais: suores, taquicardia, hipertensão arterial, diarreia, náuseas, vómitos, hipertermia moderada, sinais de desidratação (prega cutânea, oligúria);
- modificações biológicas: para além dos estigmas biológicos do alcoolismo crónico, sobrevêm sinais de desidratação intracelular (hipernatremia) e extracelular (aumento do hematócrito e da proteinemia). Observam-se por vezes cetonúria, acidose metabólica e hipocaliemia.
Na ausência de tratamento, a evolução pode ser desfavorável.
O prognóstico vital é sério em caso de comportamentos auto-agressivos induzidos pela confusão ou as alucinações, mas também devido a arritmias cardíacas, colapsos ou complicações infecciosas associadas.
Actualmente, as formas atenuadas desta síndrome são mais frequentes: o pré-delirium comporta confusão e alucinações de intensidade moderada, tremor leve, diastal, ansiedade, perturbações do sono do tipo do pesadelo, irritabilidade, anorexia e náuseas.
A terapêutica do delirium tremens compreende várias medidas. Em primeiro lugar, é necessário situar o paciente num local tranquilo e onde se lhe possa prestar atenção de forma contínua. É necessário também que a iluminação ambiental seja ténue, dado que na escuridão total o quadro alucinatório pode intensificar-se. As benzodiazepinas são recomendadas. Ingestão diária de 3 litros de água devido à grande desidratação. Administração de vitaminas de complexo B e sais minerais.
- Delírio Alcoólico Sub agudo
Semelhante ao delirium tremens, traduz-se por episódios confuso-oníricos, frequentemente vespertinos, num contexto de abstinência ou de diminuição do consumo. Pode prolongar-se durante vários dias ou semanas. Corresponde a uma forma atenuada e mais prolongada da síndrome de abstinência confuso-delirante que convém distinguir da alucinose de Wernicke (delírio alucinatório de perseguição, sem confusão mental).
- Epilepsia
A abstinência alcoólica é uma das principais causas das crises epilépticas no adulto. No caso de abstinência abrupta e total, as crises comiciais sobrevêm, em regra, no espaço de 24 horas. Quando a abstinência é incompleta, as crises são mais retardadas. O risco de epilepsia é maior nos sujeitos que já tinham tido crises epilépticas ou sofrido traumatismos cranianos graves.
As crises ocorrem muitas vezes de manhã e podem ser em salvas de duas ou três. Na maior parte das vezes, são do tipo grande-mal mas não correspondem em regra a uma doença
neurológica. Fora dos períodos de abstinência, o electroencefalograma destes sujeitos é normal. Estas crises podem preceder o pré-delirium ou o delirium tremens.

Aparecida de Fátima Fausto Carlos
06-06-2010 01:43
Gostei de site pois me esclareceu muitas dúvidas,pois meu pai está copm 73 anos e bebe há pelo menos 35 anos,más começou de uns dois anos para cá com lápsos de amnésia,só que de um ano pra cá parece que está piorando muito,inventa cada história absurda ,não se lembra de nada do presente más lembra do passado com muitas confusões misturando tudo,começou a fazer tratamento num caps com pisquiatra,más não consegui cuidar dle com calmantes que o médico receitou,pois eu tinha que ficar vigiando ele o tempo todo,quase fiquei louca,pois era num pequeno descuido e ele fugia de mim para ir ao bar beber,então resolvi não dar mais os calmantes pois ele ficava totalmente dopado más acordava a noite com delirios e muito agresivo e depresivo,não sei o que é menos ruim,pois os dois são drogas,então preferi ve-lo fazendo o que gosta ,más está feliz e isso é o que me importa pois cuidar eu cuido e muito bem dele,prefiro assim pois droga por droga é melhor ele tomar os aperitivos dele más ser feliz do que tomar esses calmantes e ficar depremido,sei que um dia Deus vai leva-lo que seja assim fazendo o que gosta .

Mauro Aparecido de arruda
21-03-2010 11:13
Bom dia,parabens pela materia acima citado, que continue levando conhecimento e experiencia, que Deus o ilumine sempre.

erika waleska camargos dos santos
19-03-2010 22:01
Acompnho um grupo de alunos emm um centro de recuperação de dependentes quimico e um hospital dia e gostaria de novas informaççoes sobre o assunto.
FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.