Psicoastro - Psicologia e Astrologia com Fernando Barnabé
 
 

A Perturbação Obsessiva Compulsiva


(Estudo elaborado no âmbito da cadeira de Psicopatologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada - ISPA) por Fernando Barnabé

O diagnóstico da perturbação obsessivo-compulsiva, é porventura, dos mais imediatos que podem ser feitos em psicopatologia. Na verdade, implica apenas a existência de obsessões e/ou compulsões, sendo as primeiras classicamente definidas como ideias, imagens ou impulsos que aparecem ao próprio doente como um fenómeno mórbido, em desacordo com o seu pensamento consciente e valores morais, mas que persiste mau grado todos os esforços para os eliminar. O doente reconhece que estas ideias emanam da sua própria actividade psíquica.

Já as compulsões, que surgem cronologicamente depois da ideação obsessiva, embora possam esporadicamente existir sem esta, consistem em comportamentos esteriotipados, executados com a finalidade de diminuir a ansiedade causada pela obsessão, podendo assumir a forma de uma sequência ritualizada que deve ser executada rigorosamente, muitas vezes com tendência a complexidade crescente. A ( DSM-IV), refere os critérios diagnósticos para a perturbação obsessivo-compulsiva.

DSM IV - Critérios diagnósticos para (300.3) - Perturbação Obsessivo-Compulsiva

A- Ou obsessões ou compulsões:

- Obsessões tais como definidas por (1), (2), (3) e (4)

(1) pensamentos, impulsos ou imagens, recorrentes e persistentes que são experimentados, durante algum período da perturbação, como intrusivos e inapropriados e que provocam ansiedade ou malestar intenso

(2) pensamentos, impulsos ou imagens que não são simplesmente preocupações excessivas acerca de problemas reais da vida

(3) a pessoa tenta ignorar ou suprimir tais pensamentos, impulsos ou imagens ou neutralizá-los com algum outro
pensamento ou acção

(4) a pessoa reconhece que os pensamentos obsessivos, impulsos ou imagens são produto da sua mente (não impostos de fora como na inserção de pensamento)

- Compulsões tais como definidas por (1) e (2):

(1) comportamentos repetitivos (por exemplo, lavagem das mãos, ordenações, verificações) ou actos mentais (por exemplo, rezar, contar, repetir palavras mentalmente) que as pessoas se sentem compelidas a executar em resposta a uma obsessão ou de acordo com regras que devem ser aplicadas de modo rígido.

(2) os comportamentos ou actos mentais têm como objectivo evitar ou reduzir o mal-estar ou prevenir algum acontecimento ou situação temida; contudo, estes comportamentos ou actos mentais ou não estão ligados de um modo realista com o que pretendem neutralizar ou evitar ou são claramente excessivos.

B. Nalgum período durante a evolução da perturbação a pessoa reconheceu que as obsessões ou compulsões são excessivas ou irracionais.

Nota: isto não se aplica a crianças.

C. As obsessões ou compulsões provocam forte mal-estar, consomem tempo (mais de uma hora por dia) ou interferem significativamente com as rotinas normais da pessoa, funcionamento ocupacional (ou académico) ou com os relacionamentos ou actividades sociais.

D. Se outra perturbação do Eixo I estiver presente, o conteúdo das obsessões ou compulsões não se restringe a essa perturbação (por exemplo, preocupação com o comer na presença de uma Perturbação do Comportamento Alimentar; arrancar cabelos na presença de Tricotilomania; preocupação com a aparência na presença de Perturbação Dismórfica Corporal; preocupação com drogas na presença de Perturbação por Uso de Substância; preocupação por ter uma doença grave na presença de Hipocondria; preocupação com os impulsos ou fantasias sexuais na presença de Parafilia; ruminações acerca de culpa na Perturbação Depressiva Major)

E. A perturbação não é provocada por um efeito fisiológico directo duma substância (por exemplo, abuso de droga, medicação) ou um estado físico geral.

Podemos reconhecer, portanto, quer nas obsessões quer nas compulsões, algumas características comuns:

1- Uma ideia ou impulso insistente e persistentemente de forma imperiosa à consciência.

2- A manifestação central é sentida com intensa ansiedade pelo indivíduo o qual frequentemente toma medidas contra a ideia ou impulso iniciais.

3- A obsessão ou compulsão é ego-distónica
. Estranha a si próprio
. Não desejada, inaceitável, incontrolável

4- Independentemente de como a obsessão ou compulsão é vivenciada, o doente reconhece-a como absurda e irracional.

5- Ao sofrer estas manifestações, existe uma forte necessidade de lhes resistir.

6- Envergonhado pelos seus sintomas, o indivíduo esconde frequentemente a sua existência dos outros.


Atribuídas, durante a Idade Média, à influência dos demónios e espíritos malignos, como podemos ler nos relatos da época, ainda no início do século XIX, todas as doenças mentais eram compreendidas sob a designação genérica de “alienação mental”.

Descrito simultaneamente por Freud, o primeiro a “isolá-lo”, enquanto entidade mórbida “pura” sob a designação de “Neurose de Obsessões” e por Pierre Janet que o incluía numa “amálgama” sintomática a que chamou Psicastenia; a Perturbação Obsessivo-Compulsiva, (DOC), constitui actualmente, como já referido, um quadro nosológico bem caracterizado por critérios diagnósticos precisos.

 

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FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.

Desde a adolescência que se sentiu atraído pelo estudo do esoterismo. A Astrologia, no entanto, revelou-se, pela sua linguagem rica em simbolismo e significado...


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