PREÂMBULO
A ansiedade é um fenómeno problemático de saúde pública, de cujo recrudescimento não nos podemos alhear. O aumento significativo do consumo de ansiolíticos à escala mundial tem por consequência vindo a aumentar, embora os técnicos de saúde mental alertem os utentes que sofrem deste tipo de perturbações, para a importância do exercício físico como uma forma, entre outras, de prevenir os efeitos nocivos de quem as experimenta.
A ansiedade, ao contrário do stresse, é um fenómeno que se mantém mesmo quando já não nos encontramos na presença de um estímulo stressor. Se imaginarmos por exemplo, que perante a proximidade de uma abelha podemos sentir alguns sintomas que estão directamente relacionados com a consequência de uma eventual picada, sabemos no entanto que, se esta retirar-se, o nosso estado de stresse baixará significativamente. A ansiedade patológica, no entanto, manter-se-á apesar da retirada da abelha.
É pois muito importante que tentemos regular a mobilização dos nossos recursos físicos e cognitivos a fim de prevenirmos eventuais perturbações de ansiedade. Este artigo editado pela Revista Brasileira de Psiquiatria, destaca o exercício físico como um elemento importante na redução de alguns tipos de ansiedade, mas poderiamos citar também o quão relevante poderá ser uma dieta equilibrada, ou por exemplo reservarmos algum tempo do dia para nós próprios em algo que nos dê especial prazer experienciar. Normalmente podermos por em prática as nossas competências criativas, ou procurarmos passatempos que nos permitam fugir da rotina diária constituem factores essenciais para ascendermos a patamares mais elevados de gratificação física e mental.
Fernando Barnabé
Revista Brasileira de Psiquiatria
São Paulo Junho 2007
Este estudo foi efectuado pelos seguintes elementos:
Sônia Regina Cassiano de AraújoI; Marco Túlio de MelloII; José Roberto LeiteI
I Departamento de Psicobiologia, Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo (SP), Brasil
IIDepartamento de Psicobiologia, Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício (CEPE), Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo (SP), Brasil
RESUMO
OBJECTIVO: A maioria dos estudos sobre os efeitos ansiolíticos do exercício físico, até meados da década de 90, foram realizados avaliando-se estados de ansiedade, com indivíduos jovens, universitários ou atletas, que podem ser considerados pré-condicionados, limitando a validade das conclusões para populações com ansiedade patológica. Na actualidade, o número de estudos envolvendo pacientes com transtorno de ansiedade aumentou. O presente estudo tem por objectivo a revisão de artigos que discutem a influência do exercício físico nos transtornos de ansiedade.
MÉTODO: Foi realizada uma pesquisa no Medline, no período de 1966-1995 e 1996-2006, utilizando-se os descritores: anxiety, panic, phobic disorders, exercise, physical fitness, além de referências cruzadas dos artigos selecionados e análise adicional de referências na literatura específica do tema.
RESULTADOS: Os achados demonstraram desenhos heterogéneos assim como limitações metodológicas. As publicações mais recentes são promissoras e acenam para a utilização de exercícios físicos aeróbios como auxiliares das terapêuticas tradicionais no tratamento dos transtornos de ansiedade.
CONCLUSÃO: Verificou-se que os exercícios aeróbios cuja intensidade não ultrapasse o limiar de lactato podem ser os mais apropriados, mas ainda não esclarecem as implicações dos exercícios anaeróbios, sugerindo cautela na prescrição de exercícios para indivíduos com ansiedade patológica, principalmente em relação aos exercícios anaeróbios.
Descritores: Ansiedade; Pânico; Transtornos fóbicos; Exercício; Aptidão física
INTRODUÇÃO
Os benefícios para a saúde do exercício físico, assim como seus efeitos psicológicos positivos, estão bem estabelecidos na literatura. Sabe-se que a redução da aptidão física geral, principalmente no componente relacionado à capacidade de resistência cardio respiratória, normalmente resulta em complicações na realização de tarefas cotidianas relacionadas à vida profissional e à prática de actividades físicas e de lazer, aumentando as chances que o indivíduo tem de desenvolver doenças crónico-degenerativas, como osteoporose, hipertensão, doenças coronárianas e diabetes mellitus.1-3 Também está associada a transtornos psiquiátricos, como ansiedade, depressão e alguns estados negativos do humor.4-5
A relação entre os efeitos benéficos do exercício físico e os transtornos do humor é apontada em diversos estudos que abordam os benefícios psicológicos da prática regular de actividades físicas.6-11 Porém, os estudos que tentam investigar os efeitos e mecanismos pelo qual o exercício físico pode promover melhoras psicológicas e fisiológicas nos transtornos de ansiedade ainda são bastante reduzidos.12
Comprova-se a existência de estudos que foram realizados considerando os estados de ansiedade utilizando diferentes metodologias e com grande diversidade de variáveis, principalmente com relação aos sujeitos do estudo, tais como indivíduos jovens, universitários ou atletas, que logicamente podem ser considerados pré-condicionados, fato que limita a validade das conclusões para populações diferenciadas.13-18
Actualmente, é possível observar que esta tendência vem se estreitando e o número de estudos envolvendo pacientes com transtornos de ansiedade está aumentando.
O objectivo do presente artigo é a revisão de estudos relevantes que discutam aspectos importantes na relação existente entre os transtornos de ansiedade e o exercício físico, como frequência, intensidade, duração e tipo de exercício físico a ser desenvolvido em programas de treino físico destinado aos indivíduos acometidos pelos transtornos de ansiedade.
A partir de considerações críticas, é objectivo sugerir alguns critérios na elaboração do plano metodológico de novos estudos que possam ampliar a compreensão a respeito do fenómeno e favorecer a prescrição de exercícios físicos de forma segura e efectiva a esta população. Para alcançar este obcjetivo, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, utilizando como estratégia de busca a base de dados Medline, nos períodos de 1966 a 1995 e de 1996 a 2006, com os descritores: "anxiety", "panic", "phobic disorders", "exercise", "physical fitness", além de referências cruzadas dos artigos seleccionados.
Os 633 artigos localizados foram inicialmente analisados e indexados segundo suas categorias: diagnóstico clínico de transtorno de ansiedade, estudos realizados com indivíduos sem problemas de saúde, estudos envolvendo ansiedade e exercício físico com outros problemas clínicos que não o de transtorno de ansiedade, estudos que avaliavam estado de ansiedade, estudos que apenas citavam os termos ansiedade e exercício físico como exemplo, sem interesse específico, e estudos realizados com animais. Posteriormente, foram analisados aqueles relacionados às categorias que estudaram a relação exercício físico, estado de ansiedade e diagnóstico clínico de transtorno de ansiedade. Finalmente, foram incluídos neste estudo 38 artigos publicados em inglês e sete sugeridos por expert(professores/pesquisadores) no assunto. Para a realização de análises adicionais, foram utilizadas informações obtidas em 14 referências específicas do tema da pesquisa, totalizando as 59 referências do presente trabalho.

26-04-2010 17:20
boa tarde tenho 29 anos não tenho nenhum problema de saude na parte fisica,mas tenho probema de ansiedade generalizada ja faço tratamento alguns anos e gostaria de saber se implantar a corrida 3 vezes pora semana ela vai abaixar significamete a minha ansiedade.obrigado pela antenção.

Ani
22-01-2010 14:16
Tenho 22 anos e a 5 tenho sindrome do panico,tomo antidepressivo e ansiolitico,gostaria de saber quel é o melhor exercicio para amenizar a ansiedade.tomo baixas doses do remedio e não queria ter q aumentar novamente……acho que um exercicio pode me ajudar mas não sei qual é melhor para amenizar??yoga é um bom exercicio para esse tipo de doença??

Sidemar Guirro
10-07-2009 00:09
Tenho 38 anos e sofro de depressão, tomo pondera de 30mg ao dia, de algum tempo para cá venho sentido alguns sintomas da sindome do pânico.
Meu médico sugeriu exercícios físicos no auxílio do tratamento, comecei a fazer caminhada, mas após termina-la os sintomas de depressão e da sindrome aumentam e ficam por alguns dias.
Por qual será o motivo disso? Meu médico não conseguiu me explicar porque o efeito se dá ao contrário.
Gostaria muito de uma resposta.
Obrigado.
FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.