SATURNO E A LUA…um encontro à beira céu
As recordações do passado pareciam querer insinuar-se, sobretudo aquelas que há muito julgara ter esquecido. Ideias obsessivas recorrentes procuravam instalar-se enquanto Saturno caminhava oposto à sua Lua Natal. Lembrava-se dos medos e temores que na infância o submeteram a estados de desalento e angústia e das perdas porque passara nessa fase pardacenta, ao mesmo tempo que, no presente, acontecimentos semelhantes lhe batiam à porta.
Sabia que durante alguns meses este aspecto astrológico não lhe daria tréguas; estava avisado pela experiência que seriam duras as provações, por isso, foi sem estupefacção, que viu partir dois familiares do sexo feminino (a Lua) deixando-lhe no peito um agonizante sentimento de dor, de impotência e fragilidade no confronto com a finitude do corpo.
As emoções pareciam também elas ter perecido, tal era o seu desalento e frieza. O amor tomava um cunho funcional, pragmático, (Saturno) contrastando com a sua sede inata de ternura e carinho. Pensava que nada nem ninguém lhe podia preencher o vazio existencial que lhe enegrecia as horas, na verdade o tempo passava lento, demasiado lento, alimentando um calvário que parecia não terminar nunca. O estado emocional a que chegara, bem cedo começou a corroer-lhe o corpo; surgiam as dores; vagas, difusas, mas suficientemente concretas para se instalar o medo da sua própria finitude.
As relações com as mulheres sofriam também significativos revezes, nelas encontrava entraves à sua evolução sobretudo no campo profissional, (a Lua na Casa VI) instalando-se uma espécie de “paz podre”, única forma de convivência possível.
Um dia, perante este cenário, onde não parecia querer despontar um pequeno raio de luz que lhe alimentasse a esperança, percebeu, que só através de uma cultura de aceitação do inevitável, do recolhimento interno, de uma grande determinação e atitude paciente, poderia obter a paz que a mente e o corpo tanto ansiavam. Seguia os ensinamentos do senhor do tempo tentando descortinar alguma lógica no seu propósito, sem no entanto permitir obsessionar-se na procura de uma verdade inelutável.
Como numa espécie de oração, sempre que Saturno lhe amargava os dias, sorria e dizia: “que assim seja”.
Fernando Barnabé

Nuno
26-07-2009 10:14
Um artigo que se lê para além do que está escrito.
Parabéns
Abraço
FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.