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Psicoses precoces e psicoses de expressão tardia


As psicoses infantis são quadros psicopatológicos onde podemos observar perturbações mais ou menos marcadas, quer no campo cognitivo, do pensamento e do afecto, quer da linguagem. São quadros heterógeneos, em que há estranheza e bizarria constituindo um campo muito complexo, não só em termos descritivos como em termos nosológicos (patológicos) e etiológicos (causas).

Há psicoses infantis que têm como base mal formações cerebrais, mas também as há, sem qualquer mal formação. Nos últimos anos tem-se falado muito no Síndrome de Asperger, um quadro intermédio entre o autismo, descrito por Kanner e as psicoses simbióticas de Mahler.

O síndrome de Asperger, foi descrito ao mesmo tempo que o autismo de Kanner, por volta dos anos 40. Asperger descreve-o como um quadro menos severo do que o autismo de Kanner; podemos denominá-lo de autismo “minor", já que, estas crianças, em regra, adquirem uma linguagem, têm um percurso escolar difícil e um percurso profissional não menos delicado devido à fragmentação do self, mas não atinge níveis de severidade como no autismo.

A esquizofrenia infantil parece ser menos grave. Há uma linguagem mas ela é idiossincrática, surgindo com frequência neologismos, formas bizarras de empregar as palavras antigas, como se a construção desta neolinguagem fosse uma caminhada ao lado da construção da linguagem das crianças “normais”. Estes neosignificados, esta complexa construção sintáctica é típica de todo este campo (as esquizofrenias infantis) em que o movimento desorganizativo foi mais tardio. Umas iniciam-se muito precocemente, outras tardiamente.

As causas são desconhecidas relativamente às psicoses infantis, mas podemos discutir aqui algumas hipóteses explicativas e tecer ainda mais algumas considerações sobre estes quadros psicopatológicos.


As PSICOSES PRECOCES, manifestam-se, em regra até aos 3,4, 5 anos de idade, são as mais graves dado que a criança não complementou ainda o seu desenvolvimento; não criou uma estrutura consistente, porque nada foi adquirido de modo a poder solidificar o edifício psicológico.

Nas psicoses precoces podemos considerar:

1-as psicoses autistas
2-as psicoses simbióticas
3-as psicoses deficitárias


1-No AUTISMO, há sempre uma constelação de quatro grandes sintomas:

- isolamento: recusa quase total de contacto humano, nos casos mais graves, quando se força o contacto, a criança tem crises de “angústia de morte” devido à intrusão de que é alvo.

- relação com os objectos autisticos: é utilizado pela criança para obter sensações subjectivas.

- imutabilidade: constância dos espaços, nas mudanças de espaço por exemplo, a criança pode sentir-se completamente perdida. A explicação reside no facto de o interior destas crianças ser tão caótico, que elas têm necessidade de se identificar com o exterior.

- estereotipias gestuais: tem como objectivo a busca de sensações

- perturbações da linguagem: desde a ausência total, até à sua.

-presença, mas sem grande valor comunicacional.


2- PSICOSES SIMBIÓTICAS (Mahler) dos 3-4 anos

Há até certa altura, um certo grau de desenvolvimento e de organização da personalidade, mas quando ocorre uma psicose simbiótica dá-se uma regressão total. O principal sintoma reside no facto de que , um acontecimento exterior (a mãe que se separa do filho) ou muitas vezes devido ao próprio desenvolvimento da criança (começa a andar e a falar e a distanciar-se cada vez mais da mãe) em que o fantasma da simbiose com a mãe é desfeito, eclode a psicose simbiótica.


3- PSICOSES DEFICITÁRIAS

Há sintomas psicóticos e sintomas deficitários (deficit de inteligência) que podem coexistir. O que é que produz a psicose?

Até há uns anos atrás, pensava-se que os sintomas deficitários provocavam a psicose, hoje sabemos que não é assim.

Em relação à evolução das psicoses precoces, há dois riscos fundamentais: ou há evolução para a debilidade mental ou então existe o risco de evoluir para o isolamento. Do ponto de vista preventivo (até aos 18 meses de vida) a associação de vários destes sinais pode mostrar que a criança está a desenvolver uma psicose:

- perturbações precoces da alimentação.

- dificuldade na sucção.

- vómitos psicogénicos.

- perturbações do sono intensas (alguns especialistas referem que a insónia calma é mais grave que a insónia agitada).

- ausência de atitudes posturais antecipadoras quando lhe pegam no berço.

- ausência de atitudes protectoras (não há percepção do perigo
- interesse excessivo por brincadeiras com as mãos à frente dos olhos.

- desinvestimento ou perda de uma função que a criança tinha adquirido.

- o desvio do olhar.

A associação de dois ou três sinais é quase sempre evocativa, até aos dezoito meses de idade, da instalação de um quadro psicótico.


AS PSICOSES DE EXPRESSÃO TARDIA/OUPSICOSES DO PERÍODO DE LACTÊNCIA

Instalam-se a partir dos cinco, seis anos de idade, até à puberdade (10-11 anos). Estas psicoses, caracterizam-se pela existência de linguagem e inteligência “normal”. Do ponto de vista clínico, sobressai, ou predomina o isolamento (núcleos autisticos) ou então, uma grande inibição (passividade) ou até mesmo instabilidade psicomotora. São normalmente crianças que se encontram numa excitação contínua (são o “terror” dos professores), são crianças hipercinéticas ou irrequietas. Pode haver alternância entre estados de inibição e irrequietude. O mutismo é também um sinal de alerta frequente na psicose, assim como as situações de dlírio.

A EVOLUÇÃO DAS PSICOSES INFANTIS (em geral)


Existem dois perigos fundamentais na evolução negativa das psicoses; a evolução para a debilidade severa, onde não estão presentes investimentos nos processos cognitivos, ou uma evolução centrada no autismo em que estamos perante a falta de investimento afectivo. Nas mudanças positivas parciais (quando não há tratamento) dá-se uma evolução da sintomatologia, surgindo comportamentos mentalizados de tipo fóbico ou de tipo obsessivo. Evolue, em regra para uma perturbação de tipo caracterial e comportamental.


EVOLUÇÕES DESFAVORÁVEIS

As evoluções desfavoráveis estão em regra presentes, quando há factores orgânicos associados à psicose infantil, lesões neurológicas associadas, factores de morbidez na história da criança (bebé prematuro, parto difícil) e sintomas somáticos precoces. Quando há ausência de linguagem para lá dos cinco anos; quando há um deficit intelectual associado à psicose infantil.

Quanto mais precocemente surge a psicose pior o diagnóstico. Outro aspecto fundamental, é a qualidade da família – algumas famílias, ao darem-se conta de algumas bizarrias ou atrasos , na linguagem por exemplo, podem eventualmente pensar que com o tempo estas aspectos melhorarão, isto prende-se com o facto de que, quanto mais rapidamente se proceder ao diagnóstico e iniciar-se o processo terapêutico mais fácil se tornará reverter a problemática.



Fernando Barnabé

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adalci gonçalves

23-05-2011 22:57

Bastante esclarecedor,objetivo,ajudou.

weton alves

31-03-2011 12:18

adorei o texto me ajudou bastante

neide de freitas cunha

06-05-2010 19:08

há como reverter a problemática??

Antonio Carlos Alves Ferreira

02-07-2009 21:35

Meu filho é pscotico, começou por volta dos três anos e hoje esta com 23 e cada vez piora mais. Preciso de ajuda.
Pois o convívio em familia esta muito dificil, apesar tomar Melleril, rivotril, neozine e ziprexa.

 

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FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.

Desde a adolescência que se sentiu atraído pelo estudo do esoterismo. A Astrologia, no entanto, revelou-se, pela sua linguagem rica em simbolismo e significado...


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