“Tudo quanto experiencio é psíquico. A própria dor física é uma imagem psíquica experimentada por mim; as minhas impressões sensoriais, apesar de me imporem um mundo de objectos impenetráveis que ocupam espaço, são imagens psíquicas, e, só estas constituem a minha experiência imediata, pois são elas os únicos objectos imediatos da minha consciência. A minha psique chega até a transformar e falsificar a realidade, e fá-lo em tal escala que tenho de lançar mão de meios artificiais para determinar o que as coisas são independentemente de mim. Descubro assim, que um som é uma vibração de ar de tal ou tal frequência, e que a cor é uma onda luminosa deste ou daquele comprimento. Na verdade, estamos de tal maneira envolvidos pelas imagens psíquicas que não podemos penetrar na essência das coisas que nos são externas. Todo o nosso conhecimento consiste no conteúdo da psique, o qual, sendo o único imediato, é superlativamente real. Eis, portanto, uma realidade que o psicólogo pode invocar: a realidade psíquica.”
“ O sonho é o teatro em que o sonhador é simultaneamente a cena, o actor, o ponto, o director, o autor e o crítico. Esta verdade tão simples é a base deste conceito do significado onírico que designei sob o termo de interpretação no plano do sujeito.”
“Há um tipo de homem que, na altura de responder a uma situação concreta, recua primeiro um pouco (como se obedecessem a um “Não” inaudível” e só depois está apto a reagir; há outro tipo que, perante a mesma situação, tem uma reacção imediata, aparentemente convencido de que o seu comportamento está evidentemente certo. O primeiro caracteriza-se, pois, por uma relação de certo modo negativa com o objecto, ao passo que o segundo tipo caracteriza-se por uma relação positiva(…)
O primeiro tipo corresponde à atitude introvertida, e, o segundo, à extrovertida.”
in “Jung, vida e pensamentos” Editora Martin Claret, Ltda. São Paulo, 1997
FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.