Quando falamos de patologia dual, referimo-nos à coexistência de transtorno por consumo de substâncias psicoactivas com outros transtornos psiquiátricos. As consequências desta coexistência, caracteriza-se por uma maior número de hospitalizações, frequência dos serviços de urgência, de instabilidade familiar e marginalização social, de presença de comportamentos violentos ou criminais, de ideação ou conduta suicida, menor adesão aos tratamentos e pior resposta aos mesmos, assim como maiores dificuldades de acesso à rede assistencial.
Apesar de que muitas das mudanças observadas ao nível comportamental, afectivo e cognitivo sejam o resultado do consumo de substâncias, estas podem resolver-se quando os pacientes adictos são desintoxicados permanecendo livres de substâncias; no entanto, em alguns casos, persistem sinais e sintomas que sugerem um transtorno psiquiátrico associado depois de se conseguir a abstinência.
Se bem que a maior parte dos estudos disponíveis assinalem que a abordagem de ambos os transtornos num mesmo serviço é a indicação óptima nos casos de patologia dual, é vulgar acontecer que os pacientes com um transtorno mental primário e um transtorno por uso, abuso ou dependência de substâncias secundário, sejam vistos na rede de saúde mental, apesar de que, os usuários de drogas costumam ser vistos nos serviços de atendimento às toxicodependências.
A falta de formação dos próprios profissionais, os que mantêm a dicotomia na abordagem a estes pacientes, para atender a ambos os transtornos, é um desafio que parece estar longe de estar resolvido.
Fernando Barnabé
Bibliografia
- Programa de educación para la salud; módulo 1; Salud-enfermedad - Instituto de Addiciones de Madrid Salud, 2006
FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.