Podemos considerar três grandes concepções explicativas da psicose: as teses organogenéticas que apontam para factores orgânicos ou constitucionais; as teses psicogénicas que dão primazia aos factores psicológicos e relacionais e, por último, as que estabelecem um compromisso entre as duas, as teses organodinâmicas que assentam nos factores orgânicos e psicológicos.
BASES ORGÂNICAS DA PSICOSE
Segundo o modelo médico, nas psicoses, considera-se que existe uma lesão geradora de uma anomalia do sistema nervoso central que produz um síndrome psicótico. A tese organogenética, afirma a existência de anomalias inatas ou adquiridas muito precocemente no equipamento biológico da criança, estando na base das psicoses infantis precoces. Os argumentos que estes autores preconizam referem-se a estudos geneológicos que parecem mostrar que os factores hereditários são importantes, mostrando uma maior incidência de factores psicóticos na família. Com este argumento provam que existem causas hereditárias em jogo.
Os antecedentes pré-natais - perturbações peri natais (na altura do parto), a criança retirada à força, enrolada no cordão umbilical, a prematuridade marcada e as perturbações somáticas pré-natais são também referidos como sofrimentos que podem originar psicoses. A prematuridade pode não ser directamente responsável, mas pode indicar medo e ansiedade por parte da mãe (teses organodinâmicas que falaremos em seguida).
As anomalias do equipamento biológico, (quando as crianças nascem com problemas na estrutura sensorial) afirmam os organicistas, darão origem a problemas ao nível da percepção e da linguagem.
TESES PSICOGÉNICAS
Indicam como factores directamente determinantes da psicose, as perturbações relacionais entre a criança e o meio externo, principalmente com o progenitor feminino.
Em relação à personalidade dos pais, não podemos dizer que haja uma personalidade tipo, até porque, em geral, estes pais não apresentam perturbações psicóticas francas observáveis. Quando a mãe é psicótica, ela pode ser substituída, mas, quando existem perturbações camufladas, traços de carácter patológico, mães demasiado protectoras, rígidas e obsessivas ou mães muito jovens revelando imaturidade e sem suporte social ou familiar.
São mães que, por vezes, têm uma relação intensa e muito ambivalente, oscilando entre períodos de solicitude excessiva, com períodos de rejeição, mais ou menos dissimulado. Na patologia depressiva, normalmente há carência de afecto, na patologia psicótica, há privação de objecto, isto é, não se dá à criança, aquilo que ela tem necessidade, não havendo sintonia com a criança.
Leo Kanner, que identificou o autismo precoce, falava da mecanização das relações humanas. Há pais que se esforçam no sentido de apenas garantir o alimento, o bem estar físico, o garante da aquisição de um vocabulário rico, mas “falham” no que ao contacto emocional diz respeito desde tenra idade.
Há também mães, com feridas narcísicas importantes, com sentimentos de frustração e incompletude que projectam a sua insatisfação sobre os filhos ou então têm uma necessidade de se apoderar dos filhos como se estes constituíssem uma extensão delas próprias. Outras há, que manifestam uma agressividade maciça em relação à criança, mas de uma forma nem sempre detectável, porque camuflada. Aqui, a criança não consegue estabelecer uma relação sólida porque ao aperceber-se da agressividade vai desenvolver mecanismos de defesa como forma de protecção.
Também há mães conscienciosas, mas depressivas, sem entusiasmo e sem afecto que não estimulam as crianças em períodos cruciais do desenvolvimento. Outras há que actuam de uma forma enlouquecedora para a criança, isto é, emitem-lhe mensagens contraditórias, em linguagem técnica funcionam num registo “double-bind”. Não existe uma interacção coerente e construtiva nesta relação, assistindo-se quase sempre a uma demissão da figura paterna, ou por ausência física ou porque não representa no seio familiar um papel preponderante.

Gorete Almeida
02-02-2011 07:42
Muito importante essa matéria,me ajudou muito,estou satisfeitíssima.Só tenhoqe agradecer.Estar me ajudando muito no meu curso.
FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.