VI- A criança prematura
As crianças nascidas antes do tempo representam 8% a 12% dos nascimentos.
O prematuro é uma criança nascida com mesnos de 37 semanas, contadas a partir do primeiro dia das últimas regras; o seu perímetro craniano é inferior a 33 cm, o seu tamanho inferior a 47 cm e o peso em regra abaixo dos 2,5Kg.
O coeficiente de risco de parto prematuro (CRAP) de Papiernik determina uma gravidez de risco quando ultrapassa o valor 10. Por exemplo, o CRAP de uma mãe socioeconomicamente desfavorecida é de 1, fumar mais de 10 cigarros por dia constitui um risco tão importante como ter mais de 40 anos (CRAP=2), pesar menos de 45 Kg e ter já dado à luz prematuramente dão um CRAP de 8 (3+5).
VII- Impacto psicológico do período fetal e do nascimento
O recém nascido tem já nove meses e acaba (ainda que ele esteja no momento zero) e acaba de viver uma experiência perturbante, o seu nascimento. Se, conscientemente, ele não o recorda, o indivíduo guarda contudo deste período múltiplas impressões.
Janov, que elaborou a terapia do peíodo fetal, mostra que o "corpo armazena todas as suas experiências e nunca esquece nada, ainda que o espírito consciente seja incapaz de remomorar esses acontecimentos".
Em situações do passado, pode-se reviver o nascimento e até mesmo alguns acontecimentos anteriores ao nascimento. O autor mostra também que "o combate do nascimento se arrisca a constituir o protótipo do modo de reacção que a pessoa adoptará mais tarde face a uma situação de ameaça"; assim, o indivíduo que fechou automaticamente os seus bronquíolos para evitar uma asfixia pelos líquidos quando do seu nascimento continua a responder desta forma a todo o stress, o que pode provocar crises de asma.
Os pais que esperam um bebé revivem na maioria das vezes a sua vida fetal e o seu nascimento; os seus fantasmas traduzem-se por sonhos, somatizações, por vezes psicoses puerperais, tanto no pai como na mãe.
Os psicanalistas têm posto em evidência o desejo do ser humano regressar ao seio materno, a sua nostalgia de uma existência parasitária e protegida. Para Ferenczi, a penetração da mulher significa para o homem um regresso parcial ao corpo materno. Rank mostrou que a angústia fisiológica - respiratória - que acomanha o nascimento, separação do objecto materno, é o ponto de partida de toda a sensação de angústia.
Cooper, põe a tónica sobre o estado de fusão mãe/criança que caracteriza este período da vida do indivíduo, estado que por vezes a mãe e/ou a criança tentarão prolongar após o nascimento - "Antes do nascimento, o bebé deve sentir que é (e ser sentido como) uma entidade humana separada, embora associada...alteridade que é aqui o contrário da alienação, da fusão, da confusão e da perda de identidade de uma pessoa numa outra..."
O pai prepara o acto de nascimento simbólico do seu filho falando-lhe e tocando-o quando ele ainda está no ventre da sua mãe.
O recém-nascido recorda-se dos batimentos do coração da mãe - os recém-nascidos submetidos ao barulho amplificado de um coração normal adormecem mais facilmente, dão menos gritos e ganham mais peso do que os sujeitos ao meio envolvente sonoro habitual. Tomatis, reconstitui os sons, a voz materna, tal como o feto os ouvia. Graças a este material, pôs em funcionamento uma terapia, o parto sónico, passagem da transmissão sónica líquida a uma transmissão aérea.
Fonte: O Desenvolvimento Psicológico da Criança - R.Deldime, S. Vermeulen; Colecção iblioteca Básica de Educação e Ensino; Edições ASA
FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.