A mãe pode comunicar as suas emoções ao filho por intermédio de uma hormona, a adrenalina, esta é libertada no sistema circulatório da mãe, passando para o corpo da criança acelerando o seu ritmo cardíaco.
A fadiga da mãe produz uma hiperactividade da criança, cujos movimentos são também mais acentuados à noite, após as refeições e durante os sonhos da mãe; o ritmo do caminhar, pelo contrário, parece acalmá-la.
Mas a mãe reage também ao ser que nela se desenvolve. O seu organismo é por ele literalmente “intoxicado”, visto que vai até precaver-se contra as albuminas embrionárias. E se modificar-se a temperatura e a oxigenação da criança, criam-se modificações no ritmo respiratório e na dinâmica circulatória maternas.
A espera da criança e o seu nascimento constituem uma importante etapa da vida da mulher, do homem, do casal. A forma como os pais “grávidos” vivem esta experiência influencia em larga medida a qualidade da gravidez e do nascimento mas também a imagem que eles fazem da criança, das suas funções de pai e mãe, da vida de família. Por assim dizer, a criança determina os seus pais tanto quanto é determinada por eles.
Numerosos factores intervêm aqui. A criança desejada por um casal unido não conhece a mesma sorte que a criança “catástrofe”, a criança rejeitada, a criança de mãe “solteira”.
Segundo os psicanalistas, a mulher satisfaz pela maternidade o seu desejo de possuir o pénis; mas o homem não pode dar à luz e começa a sentir ciúme relativamente à sua mulher grávida. O seu ciúme dirige-se também à criança, se a mãe lhe concede mais atenção do que a ele.
A maneira como a mulher grávida e o seu companheiro aceitam as modificações da sua imagem corporal e a sua procura de uma nova identidade – pessoal, familiar e social – influenciam também a titude dos pais relativamente à criança. Esta identidade elabora-se a partir das antecipações de ordem cultural que acompanham a gravidez, a maternidade, a paternidade e a atitude individual do homem e da mulher, nascida da sua experiência pessoal.
A evolução psicológica criada pela vinda da criança pode apresentar algumas desordens - para o homem, a “fuga”, e para a mulher, a ansiedade, a depressão pós-parto, também chamada psicose puerperal, durante a qual a mãe deprimida não se ocupa voluntariamente da sua criança. A adopção obrigatória da criança real é tanto mais difícil quanto ela difere da criança imaginária da mãe, dos pais (criança prematura, malformada, mongolóide…)
FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.