Psicoastro - Psicologia e Astrologia com Fernando Barnabé
 

Jung e o seu encontro com Freud (testemunho de Jung)


A aventura do meu desenvolvimento interior, intelectual e espiritual, começo pela escolha da profissão de psiquiatra. Com toda a ingenuidade, comecei a observar os doentes mentais clinicamente pelo exterior. Dessa forma deparava com processos psíquicos de natureza surpreendente; registava-os e classificava-os sem a menor compreensão dos seus conteúdos que, uma vez rotulados como “patológicos”, pareciam suficientemente caracterizados. Com o tempo, o meu interesse concentrou-se cada vez mais no género de doentes que me possibilitava a experiência de algo compreensível: os casos paranóides, de loucura maníaco-depressiva e de perturbações psicogéneas.

Desde o início da minha carreira psiquiátrica, os estudos de Breuer e de Freud, e também os trabalhos de Pierre Janet estimularam-me e enriqueceram-me. Sobretudo as primeiras tentativas de Freud em busca do método de análise e de interpretação dos sonhos, foram factores decisivos para a minha compreensão das formas de expressão esquizofrénicas. Já em 1900, lera a “Interpretação dos Sonhos”, de Freud. Mas coloquei o livro de lado, porque ainda não o compreendia. Com vinte e cinco anos, a minha experiência era insuficiente para examinar as teorias de Freud; só mais tarde isso foi possível. Em 1903, retomei a “Interpretação dos Sonhos” e descobri a relação que havia entre esta obra e as minhas próprias ideias.


O ELOGIO A FREUD

O maior feito de Freud foi, sem dúvida, tomar a sério os seus doentes neuróticos e haver-se consagrado ao que a sua psicologia tem de individual e de particular. Ele teve a coragem de dar a palavra à casuística, penetrando dessa forma na psicologia individual do paciente. Poder-se-ia dizer que via com os olhos do paciente, chegando assim, a uma compreensão mais profunda da doença, que, até então, não tinha sido possível.

Nesse ponto, não tinha qualquer ideia preconcebida e era extremamente corajoso. Isso permitiu-lhe ultrapassar uma multidão de preconceitos. Tal como um profeta do Antigo Testamento, tentou derrubar os falsos deuses, abrindo a cortina que velava uma quantidade de desonestidades e hipocrisias, trazendo à luz, sem qualquer piedade, a podridão da alma contemporânea.

Não teve medo de assumir a impopularidade de tal empreendimento. Fazendo isso, deu à nossa civilização um novo impulso, que consistia na descoberta do acesso ao inconsciente. Reconhecendo o sonho como a mais importante fonte de informações sobre os processos do inconsciente, arrancou ao passado e ao esquecimento um valor que parecia irremediavelmente perdido. Provou empiricamente a existência de uma psique inconsciente , que antes era apenas um postulado filosófico nas filosofias de Carl Gustav Carus von Hartman.

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FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.

Desde a adolescência que se sentiu atraído pelo estudo do esoterismo. A Astrologia, no entanto, revelou-se, pela sua linguagem rica em simbolismo e significado...


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