Psicoastro - Psicologia e Astrologia com Fernando Barnabé
 

A sexualidade e os rituais de passagem


A quase todos ficou e ficará na memória, as primeiras experiências da puberdade e da adolescência relativamente à descoberta do próprio corpo. São descobertas que podem nalguns casos revelar-se inquietantes, dependendo é claro, de factores culturais, da época em que decorre a experiência, como da personalidade ainda em estruturação dos jovens envolvidos.

Todos nós, de uma forma ou de outra, fomos descobrindo o corpo, primeiro olhando-nos ao espelho, mais tarde substituindo o espelho pelo olhar dos outros. À medida que crescem os seios, os pelos púbicos, o pénis, surge a menarca nas meninas, (primeira menstruação) os jovens carecem de explicações sobre estas transformações corporais. É que, toda e qualquer mudança acarreta alguma dose de ansiedade. Há, em regra, uma certa inibição em falar dessas mudanças com os familiares, é então comum dialogarem com o seu grupo de pares, (amigos, companheiros da escola) as meninas, procurando as meninas, os rapazes partilhando as suas dúvidas com os rapazes.

Mas nem sempre essas dúvidas são partilhadas falando delas…existem outras estratégias para que a sua curiosidade seja satisfeita. Os jovens querem comparar os seus corpos, porque têm urgência em perceber se as mudanças neles operadas se assemelham à dos amigos e colegas, é uma particularidade do seu estadio de desenvolvimento.

Que estratégias adoptam então? Há alguns anos atrás, quando não havia Internet essas descobertas eram feitas preferencialmente em grupo; falando dos rapazes, por exemplo, era perfeitamente normal que se reunissem para assistirem a um filme ou à visualização de revistas de conteúdo erótico ou até mesmo pornográfico.

Estas experiências, sempre longe da vista dos progenitores, tinham um carácter secreto, eram feitas sempre que se tinha a certeza que não estariam adultos por perto. É precisamente nestes momentos, em que os jovens, ora praticam a masturbação em grupo, ora se olham e tecem comentários sobre o conteúdo do filme ou da revista, que vão descobrindo o próprio corpo e dando conta de algumas diferenças entre si. Uns integram-nas facilmente, percebendo que as transformações corporais estão também associadas a características individuais e genéticas, e que esse desenvolvimento pode, nalguns casos, ser mais rápido ou mais lento; outros, têm dificuldade em entender porque são mais ou menos desenvolvidos neste ou naquele aspecto.

Aqui, devemos estar atentos ao facto de o jovens poderem manifestar atitudes e comportamentos invulgares, por exemplo, não querendo ir à escola ou oferecer resistência e até mesmo recusarem sistematicamente convites para ir à praia. O facto de um jovem apresentar muitos pelos corporais na puberdade pode ser um motivo cabal para adoptar tais comportamentos. Cabe ao adulto estar atento e explicar o porquê da sua diferença poupando-o a perniciosas ansiedades e angústias.

Tenho dinamizado algumas sessões de sensibilização sobre a temática da sexualidade e fico por vezes incrédulo, que, em pleno século XXI, ainda perceba nos jovens os risinhos denunciadores de um sentimento de vergonha, de algum desconforto em falar sobre esta temática; alguns tapam a face com as mãos quando algum colega, mais consciente da importância de estar informado, coloca uma ou outra questão pertinente sem revelar qualquer receio em chamar as "coisas" pelos nomes.

É necessário falar-mos abertamente, na escola, em casa, sem tabus, sobre as questões que remetem para a sexualidade, para que os jovens possam crescer sem que as crenças erradas que foram construindo neste âmbito, sejam um entrave ao seu desenvolvimento…muitos pais demitem-se desta tarefa…a alguns já tenho ouvido dizer: “está lá tudo na net…eles(as) já sabem mais do que nós…”

É necessário mudar mentalidades, destruir tabus sobre a sexualidade e a sua vivência…é no seio da família e na escola que elas devem operar-se…com urgência…porque já perdemos muito tempo com falsos moralismos e questões éticas no mínimo absurdas.

Fernando Barnabé

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FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.

Desde a adolescência que se sentiu atraído pelo estudo do esoterismo. A Astrologia, no entanto, revelou-se, pela sua linguagem rica em simbolismo e significado...


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