Psicoastro - Psicologia e Astrologia com Fernando Barnabé
 

A História Clínica – algumas considerações à luz da Psicanálise


Numa história clínica é sempre necessário procurar parâmetros que nos mostrem a que nível se situam as problemáticas mentais. Um dos aspectos mais importantes, diria mesmo fundamental a considerar, é a avaliação da qualidade da ansiedade dominante que o paciente apresenta na consulta.

Podemos considerar a existência de três tipos de ansiedade, que nos permitem perceber a dinâmica das diversas manifestações do sofrimento psíquico.

A ansiedade mais antiga, até ao oitavo mês, própria das organizações psicóticas, é a ansiedade da perda do amor do objecto. Nestas circunstâncias e havendo esse temor, o que pode acontecer é que o sujeito venha a erguer barreiras à construção da sua autonomia, do seu EGO, a fim de evitar esse sofrimento de perda. A segunda destas angústias pode surgir a partir do oitavo mês, quando se instala a angústia do estranho, é a chamada angústia de separação ou do medo da perda do objecto de amor,e, finalmente, a angústia mais tardia, típica das organizações neuróticas, a angústia de castração, que se instala por alturas do Complexo de Édipo, responsável por um certo grau de perda de liberdade.

A dominância da angústia que está presente, dá-nos por consequência, e de imediato, a noção do momento em que se provocou o trauma responsável pela paragem no desenvolvimento.

Quando somos confrontados com uma situação traumática de intensidade suficiente (por exemplo na infância), produz-se uma fixação, que nos conduz no futuro a um funcionamento semelhante ao ocorrido no momento do traumatismo. Essa fixação, não implica que o sujeito estagne e interrompa o seu desenvolvimento, implica antes sim, que haja uma regressão ao momento em que o trauma surgiu.

É muito importante, quando elaboramos a história clínica, perceber a qualidade do SUPEREGO. Segundo Freud, existem três instância psíquicas, e como tal, três causas de perturbação mental. Uma é o ID, o lugar do inconsciente. Ele representa a matriz orgânica donde deriva a vida psíquica e, por consequência só se está doente quando a matriz orgânica está comprometida. Porém, na esmagadora maioria dos casos, é o SUPEREGO que está implicado na desestruturação menta, porque em vez de funcionar como aliado do EGO, vai funcionar como seu inimigo, constituindo para o paciente uma fonte de inibições e de conflitos geradores de sofrimento.

O SUPEREGO, forma-se de maneira definitiva, por alturas do Complexo de Édipo, mas tem percurssores que surgem desde muito cedo no desenvolvimento e que podemos equiparar a uma noção moral do bem e do mal. Aqui não há ainda um SUPEREGO definitivamente formado.

O que podemos verificar é que nas patologias mais graves o SUPEREGO, é sempre dominantemente materno enquanto que em doenças menos graves a dominância é do SUPEREGO paterno (com uma excepção). E porquê? Para respondermos a esta questão teremos que voltar aos períodos mais remotos do desenvolvimento da criança.

A criança só começa a ter a noção da existência de um terceiro, a partir do oitavo mês, a noção de pai só vai surgir nessa altura. Nessa primeira fase, sabendo que depende por completo da mãe, vai temer que esta a castigue ou a ataque por qualquer razão desconhecida. A noção de “mau sei” vem do facto de que a criança imagina que a mãe conhecendo todas as suas carências, voluntariamente lhe está a provocar sensações de fome, de frio, etc.

A figura paterna, surge para impor limites e “separar” os filhos da mãe. Para o SUPEREGO materno, tudo é proibido, menos o manifestamente permitido; para o SUPEREGO paterno, tudo é permitido, menos o manifestamente proibido. O SUPEREGO materno vai sempre ser fonte de inibições, enquanto que o paterno pode vir a ser fonte de autonomia, ou, em alguns casos a cauda de patologia grave. O psicopata, por exemplo, vai sempre à procura de limites para reduzir a sua ansiedade; o que nos mostra um SUPEREGO sem limites (SUPEREGO paterno).

Ter uma noção do momento em que se verificou o traumatismo e por consequência quais as características do prognóstico, isto é, se a doença é ou não tratável, pode ser determinado através da análise da qualidade das defesas. Saber quais as que estão activas pode ajudar-nos a precisar o momento da situação traumática, desde que tenhamos em atenção que a defesa mais “avançada” é o recalcamento (utilizada nas estruturas neuróticas) e a mais antiga a projecção (mais utilizada nas estruturas psicóticas). Deste modo é possível determinar quais as perturbações mentais de melhor ou pior prognóstico.

Em suma, perceber qual é a parte dominante no SUPEREGO para se proceder a uma abordagem prognóstica, torna-se um elemento fundamental na clínica.

É importante ter ainda presente, que os quadros patológicos graves são caricaturas de nós próprios. Por esse motivo somos capazes de compreender a doença e escutar os pacientes sem que tal represente uma impossibilidade para o analista; isto porque vivemos ao longo do nosso desenvolvimento fases mais ou menos desestruturantes, mas não suficientemente intensas para configurar um quadro psicopatológico grave.


Fernando Barnabé

Deixe o seu comentário
 

© 2008 PSICOASTRO - Todos os direitos reservados.
Todos os conteúdos e trabalho gráfico apresentado, estão protegidos por leis de propriedade intelectual.

FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.

Desde a adolescência que se sentiu atraído pelo estudo do esoterismo. A Astrologia, no entanto, revelou-se, pela sua linguagem rica em simbolismo e significado...


(+351) 91 845 54 45