No seguimento do artigo referente à avaliação psicológica, queria falar-lhes sobre o conceito de anamnese em Psicologia Clínica. A anamnese significa – retorno ao passado e supõe uma teoria da reminiscência, da etiologia da perturbação e uma teoria da técnica de entrevista.
Podemos considerar a existência de três tipos fundamentais de anamnese - médico, psicanalítico e psicológico.
A anamnese de tipo médico é feita em bases simples e supõe que o paciente apresenta em memória acontecimentos importantes que vai progressivamente transmitindo; há aqui, um procedimento que obedece a termos cronológicos e temáticos. Em regra pode existir um questionário prévio estabelecido e as causas da doença têm uma causalidade linear, isto quer dizer, que para qualquer sintoma existem antecedentes que necessitam de ser procurados. Existe portanto uma causa e um efeito e a entrevista toma a forma de um interrogatório que obedece a um plano pré estabelecido. É pois uma anamnese em que se supõe que o paciente conhece todos os acontecimentos relevantes da sua existência.
A anamnese de tipo psicanalítico funciona em moldes completamente diferentes. A pessoa funciona por associação livre (ver artigo sobre a psicanálise) e não por interrogações formuladas. Um psicanalista clássico consegue apreender e intuir o passado da pessoa através da relação que com ela estabelece. Digamos que, um bom psicanalista, trabalha não numa causalidade linear mas numa causalidade circular.
Coloquemos este exemplo – um sujeito encontra-se em análise porque o pai morreu quando este tinha 12-13 anos. Este acontecimento, desejado pelo paciente irá colocá-lo perante um grande conflito. Ele poderá questionar-se: “Será que tenho a culpa da morte do meu pai?” Ele pode ter a sensação que o pai o abandonou, quando fala da sua infância à luz deste sentimento. Provavelmente este sujeito vai focalizar todos os acontecimentos da infância como abandonos, quando não foi isso que aconteceu de facto. É a este processo que chamamos causalidade circular, isto é, no universo psiquíco há uma causalidade circular mas não linear.
Numa psicanálise, não nos cingimos ao simples retorno do que foi recalcado nem apenas e só à construção de algo que faz parte do passado. O processo envolve uma reconstituição e uma construção que será tanto melhor, quanto melhor for a relação com o psicanalista.
A anamnese em Psicologia, partilha um pouco dos métodos da medicina e da psicanálise. O psicólogo interessa-se pelas fases do desenvolvimento, mas também privilegia a causalidade circular. As entrevistas são semi directivas. O importante aqui, são os acontecimentos exteriores e a forma como foram vividos interiormente; o que importa na realidade, é aceder ao modo como a pessoa elaborou na fase adulta esses acontecimentos.
A anamnese supõe também uma teoria da reminiscência (vários níveis de memória). O inconsciente possui representações que surgem à consciência nomeadamente através dos sonhos, dos actos falhados, dos sintomas. Nesta perspectiva, a teoria da reminiscência supõe que existem vários níveis de memória no inconsciente e que, na vida infantil mais precoce os acontecimentos que vão construir o aparelho psíquico são constituídos por impressões, que, por sua vez, criam traços reveladores de uma certa estrutura psíquica.
É também relevante aceder aos sonhos e à forma como os mecanismos de defesa foram erigidos; da sua análise podemos distinguir diferentes patologias. Na histeria, podemos constatar que há uma dissociação (separação do afecto da representação) os acontecimentos traumáticos são tratados como se não tivessem acontecido (amnésia lacunar). Na neurose obsessiva, o sintoma surge como uma fobia ou como uma compulsão. Na psicose, por exemplo já são utilizados mecanismos de defesa mais primários, como a negação, a projecção ou a clivagem.
Num próximo artigo e dando continuidade à temática da avaliação psicológica, irei falar-vos da importância de alguns testes utilizados na prática clínica.
Fernando Barnabé

MARIA CLÁUDIA
22-10-2011 02:33
QUANDO TIVER OUTROS ARTIGOS E PUDER ENVIAR-ME, SEREI-LHE MUI GRATA…PARABÉNS E UM GRANDE ABRAÇO FRATERNAL…

VALERIA GERARDI SWARTELE
03-04-2011 19:35
estou retomando minha carreira nesse momento e qualquer artigo que possa me esclarecer quanto a primeira entrevista e anamnese será de ótima ajuda!!!!

29-03-2011 23:04
Sou estudante do curso de pós-graduação em psicopedagogia, gostei muito do texto sobre Anamnese. Parabéns Fernando Barnabé.

Alfredo Brandt Mariano
17-12-2010 00:17
Sou estudante de Psicologia da Faculdade FAAR – Ariquemes – RO. Fiz minha primeira anamnese no semestre passado. Seu artigo claro e objetivo, enriquece e apaixona um futuro psicólogo. PARABÉNS!

Marlucy
17-11-2010 01:16
Se possivel, gostaria de receber os artigos por email. Muito bom, claro e objetivo.

Natália Azenha Chaves
26-10-2010 18:21
Ótimo artigo em pauta, objetivo e claro, se possivel gostaria que enviasse artigos no meu email, também sou psicóloga.

Adriana
17-01-2010 18:09
Seu comentario foi de grande utilidade ; gostei das colocações mande -me mais assuntos se possivel para o meu email acima.Podemos tro car informações pois sou Psicologa tmb!!
Att…

raquel santiago
17-09-2009 16:01
sou estudante de psicologia na faculdade nilton lins em manaus e gostaria de deixar aqui o meu muito obrigada por esse artigo tão objetivo e com conteúdo.fiquei imaginando como seria bom participar de uma aula ao vivo!!! abs, Raquel.

Lucas Henrique
31-08-2009 19:01
Parabéns pelo artigo!
Sou estudante de Psicologia da Faculdade Salesiana de Lorena SP.
Seu artigo foi muito prestativo!
abraço.

simone
27-08-2009 00:42
Gostei desse aetigo,bem sistematizado em poucas palavras, falou o necessário para entender o que é anamnese.GOSTARIA Q ENVIASSE PARA MIM OUTROS ARTIGOS REFERENTE A PSICOPEDAGOGIA.
FERNANDO BARNABÉ
Nasceu em Alvor, em 1958. Signo de Aquário com Ascendente Balança.